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O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica, de causas diversas, caracterizado por aumento na glicose, resultante de liberação deficiente de insulina pelas células beta do pâncreas (deficiência absoluta) ou resistência dos tecidos a ação de insulina (deficiência relativa) ou a ambas. Constitui-se em um dos mais sérios problemas de saúde na atualidade, sendo considerada por alguns especialistas como o “MAL DO SÉCULO”. Atualmente existe uma pandemia da doença, com aumento global dos casos, sendo que em 1995 haviam aproximadamente 135 milhões de casos no mundo e que em 2025 serão acima de 350 milhões. No Brasil a prevalência de diabetes está próxima a 7,6% da população geral, sendo que esta varia de acordo com a faixa etária sendo de 2,7% para pessoas entre 30-39 anos; 5,5% para pessoas entre 40-49 anos; 12,7% para pessoas entre 50-59 anos e 17,4% para pessoas entre 60-69 anos.

O risco de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) nos pacientes com DM é cerca de 3x vezes acima da população geral, com maior tendência para mulheres diabéticas. Esse risco pode chegar a 256 vezes com a adição dos outros fatores de risco conforme o “INTERHEART Study”.

Cerca de 55% das mortes em pacientes diabéticos é de origem cardíaca, 10% por acidente vascular cerebral, 5% por infecções e 30% por outras causas.

  •  Quais são os dados do DM no Brasil?

– estima-se que atualmente existam 10 milhões de diabéticos;

– quase 25% da população diabética não faz nenhum tratamento;

– é a 4ª principal causa de morte no país;

– é a principal causa de cegueira adquirida;

– tem 17 vezes mais chances de evoluir com doença renal, sendo responsável por 35% dos casos de insuficiência renal em programas de diálise;

– tem 40 vezes mais chances de amputação de membros inferiores que a população geral. O DM é a causa mais comum de amputações de membros inferiores em nosso país. O gasto no ano de 2004 do SUS com amputações no Brasil ultrapassou 18 milhões de reais.

  •  Quais são as causas do aumento do número de diabéticos no Brasil?

– urbanização e industrialização;

– sedentarismo;

– hábitos alimentares inadequados;

– aumento de peso;

– aumento da expectativa de vida da população;

– maior sobrevida dos pacientes diabéticos com os avanços da Medicina;

  •  Quais são fatores de risco para DM ?

1) pessoas acima dos 45 anos;

2) história familiar de DM (parentes de primeiro grau);

3) Obesidade (excesso de peso com índice de massa corporal acima de 30);

4) Sedentarismo (falta de exercício físico);

5) História de DM durante alguma gestação;

6) uso de determinadas medicações;

7) dislipidemias (colesterol bom baixo e triglicerídeos elevados);

8) pressão alta;

9) diagnóstico prévio de glicemia alterada ou INTOLERÂNCIA À GLICOSE;

  •  Quais são os sintomas clínicos de DM ?

Em alguns casos não há sintomas, isso pode acontecer no DM tipo 2. A pessoa pode passar muitos meses, às vezes anos, para descobrir a doença. Os sintomas clássicos são: fome exagerada, muita sede, urinar várias vezes ao dia e emagrecimento.

Outros sintomas que podem ser observados são: visão turva, irritabilidade, cansaço inexplicável, infecções de pele, machucados que demoram para cicatrizar, dores nas pernas, formigamentos nas mãos e pés, vulvovaginites de repetição em mulheres e em alguns casos, impotência sexual nos homens.

  •  Quais são os critérios diagnósticos da Associação Americana de Diabetes?
  • Duas glicemias de jejum igual ou mais de 126 mg/dl
  • Glicemia ao acaso igual ou mais que 200 mg/dl associada a sintomas
  • Valor acima de 200 mg/dl após um teste de tolerância oral a glicose.

Algumas questões são de fundamental importância para a realização desse diagnóstico: a) esse diagnóstico deve ser feito após exame em laboratório confiável e não após um HGT casual; b) coleta do plasma sanguíneo após jejum;

  •  Quais são as classificações do DM ?

Como a hipertensão e as dislipidemias, o DM também possui classificações:

– quanto a presença de um agente ou doença causal identificável:

= Diabetes Primário: sem agente ou doença identificável que cause o aumento da glicose. Responsável por 97 % dos pacientes. Fazem parte deste grupo os tipos abaixo:

  • DIABETES MELLITUS TIPO 1 (DM1) resulta de deficiência absoluta na produção de insulina. Responde por 10-20% dos casos de DM, sendo na grande maioria devido a destruição auto-imune das células beta do pâncreas, que são responsáveis pela produção de insulina. Em geral o aumento da glicose se manifesta quando acima de 90% destas células estão destruídas. O início é abrupto, surgindo em qualquer idade, mas são mais comuns em crianças e adolescentes. Pode aparecer mais tardiamente entre os 35 e 60 anos denominado tipo LADA. A maioria dos pacientes estão abaixo do peso no momento do diagnóstico e apresentam os sintomas clássicos, os pacientes deste grupo obrigatoriamente requerem insulina para o tratamento.

  • DIABETES MELLITUS TIPO 2 (DM2): resulta de deficiência relativa, ou seja, ainda há produção de insulina pelo pâncreas, porém, os tecidos muscular e adiposo estão resistentes a sua ação, existindo uma incapacidade de absorção da glicose, não conseguindo retirar glicose suficientemente da corrente sanguínea. Responde por 80-90% dos casos de DM, surgindo habitualmente após os 40 anos , porém existem a forma precoce (entre 25 e 40 anos) e a MODY, bem mais rara, que ocorre antes dos 25 anos. Cerca de 80% dos pacientes afetados pelo DM2 são obesos. O início é insidioso (lento) e com sintomas mais leves. A hereditariedade é maior neste tipo do que no tipo 1. O tratamento medicamentoso geralmente é feito com hipoglicemiantes orais que possuem diversos mecanismos de ação:  diminuição da produção de glicose no fígado, diminuição da absorção de glicose pelo intestino, aumento da liberação de insulina e aumento da utilização de glicose pelos músculos.

= Diabetes secundário: agentes ou doenças que predisponham ao aumento da glicose.

—- Doenças pancreáticas como pancreatite , hemocromatose, trauma, fibrose cística, câncer , etc

—- Distúrbios hormonais como hipertireoidismo, síndrome de Cushing, glucagonoma, etc

—- Gestação (diabetes gestacional)

—- Medicamentos (corticóides, diuréticos tiazídicos, anticoncepcionais, hidantal, pentamidina, ácido nicotínico, interferon, hormonônios tiroidianos, etc)

—- Síndromes genéticas

—- Infecções (rubéola congênita e citomegalovírus)