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As dislipidemias (“alterações no metabolismo do colesterol ou triglicerídeos”) são consideradas atualmente um dos principais fatores de risco no fenômeno da aterosclerose (“entupimento dos vasos”). Estima-se que sua prevalência seja próxima a 22% na população geral, sendo que a região Sul apresenta a maior porcentagem. Acreditamos que as pessoas devam dar mais valor em manter os níveis de “gorduras no sangue” controlados, buscando a prevenção para evitar arrependimentos mais tarde quando da ocorrência de um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) ou de uma isquemia cerebral. Para o claro entendimento de sua importância devemos sempre ter em mente que a formação do lago lipídico é um dos principais componentes da placa de aterosclerose.

É fundamental que você ao realizar sua avaliação laboratorial tenha dosado o perfil lipídico – com resultados não somente do colesterol total e triglicerídeos (TG) como seguidamente observamos, mas também do LDL colesterol (“ruim”) e HDL colesterol (“bom”). Explicamos geralmente aos pacientes que o “colesterol bom é o detergente que não deixa o colesterol ruim (graxa) entupir os canos da pia, para isso é necessário que tenhamos bastante detergente e pouca graxa circulando pelos canos”. Observamos nos pacientes extrema preocupação com o valor do colesterol total, mas o seu resultado não define indicação de tratamento, ao contrário do resultado do colesterol ruim, bom e dos triglicerídeos, estes sim que classificam as dislipidemias basicamente em 4 tipos: a) dislipidemia por aumento LDL; b) dislipidemia por aumento dos TG; c) dislipidemia por HDL (bom) baixo e d) dislipidemia mista por associação de pelo menos dois dos tipos anteriores. Além disso, é importante que ao levar os resultados ao seu médico esse esteja familiarizado com os valores ideais de cada um dos subtipos (Diretrizes NCEP e da SBC) em virtude da ampla variação que observamos nos valores de referência entre alguns laboratórios.

Após a realização do exame e classificação do tipo de dislipidemia é importante que seu médico busque defini-lá em primária (sem causa definida) ou secundária (devido a alterações hormonais e/ou renais e/ou até a medicamentos que você esteja usando). Isso tem relevância na decisão da forma de abordagem de seu problema e consequentemente no tratamento.

Em seguida, seu médico deverá estimar o seu risco cardiovascular através de escores como Framingham, Reynolds ou ASCVD (da sociedade americana de Cardiologia).

A medicina encontra-se em constante evolução, as pesquisas são fundamentais nos dias de hoje. Vivemos a era da “Medicina embasada em evidências”, ou seja, o médico deve tomar condutas baseado no que é comprovadamente benéfico e não no “achismo”. Milhares de novos artigos publicados diariamente em várias revistas do mundo e existe uma gama de medicamentos para o tratamento das dislipidemias (estatinas, fibratos, ácido nicotínico e mais recentemente os inibidores de PCSK9 – como Arilocumab, Evolocumab e Bococizumab).

Não devemos esquecer do importante papel de uma nutricionista para elaboração de uma dieta balanceada. Devemos evitar as gorduras saturadas e as gorduras trans e buscar fontes com ácidos graxos ricos em Omega-3 e Omega-6.