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Para abordar o assunto pressão alta utilizamos como fonte os dados mais recentes do VIII JOINT Committee Report americano e a VII Diretriz Brasileira de Hipertensão. A hipertensão (pressão alta) afeta aproximadamente 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, aumentando o risco de eventos cardiovasculares de forma contínua, consistente e independente de outros fatores de risco. O paciente com pressão alta apresenta uma maior chance de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), AVC isquêmico e hemorrágico (popular derrame), insuficiência cardíaca e insuficiência Renal. Você sabia que um terço das pessoas que evoluem para insuficiência renal e que necessitam de diálise apresentam a hipertensão como causa. É fundamental que você entenda os componentes da pressão – por ex.: PA = 120/80 mmHg, o primeiro componente (120) é chamado de sistólico, enquanto que o segundo componente (80) é chamado de diastólico. O risco de eventos dobra para cada aumento de 20 mmHg do componente sistólico (PAS) e 10 mmHg do componente diastólico (PAD) acima do normal. Em uma base de dados, observou-se que aproximadamente 70% dos hipertensos sabiam que possuem a doença (hipertensos conhecidos) e 30% a desconheciam ou não assumiam (hipertensos desconhecidos). Entre os hipertensos conhecidos apenas 59% estavam em tratamento e apenas 34% apresentavam sua pressão arterial adequadamente controlada.

Para o diagnóstico da hipertensão é necessário que a pressão esteja elevada em duas oportunidades em dias diferentes. Para isso é fundamental que a medida seja feita com um aparelho calibrado, de preferência na posição sentada e com o braço ao nível do coração após repouso em sala de espera de pelo menos 5 minutos.

Após aferida a pressão arterial é fundamental que o paciente seja classificado em estágios de acordo com os níveis medidos. A partir da identificação dos hipertensos devemos avaliar se a hipertensão é primária (sem causa definida) onde encontra-se 95% da população ou secundária (devido a uma patologia de base) correspondendo a 5% da população, geralmente devido a problemas renais e/ou hormonais e/ou vasculares.

O próximo passo será identificar se existem outros fatores de riscos associados (diabetes, dislipidemias, tabagismo, etc) e se o paciente já apresenta lesões em órgãos-alvo: RINS, CÉREBRO, CORAÇÃO, VASOS e RETINA, sendo para este último fundamental a avaliação do fundo de olho com profissional habilitado ou preferencialmente com oftalmologista.

E qual é o benefício do controle da pressão arterial? Pesquisas mostram que o uso de medicação anti-hipertensiva está associada a reduções de 40-50% das chances de AVC, 20-25% das chances de IAM e mais de 50% das chances de insuficiência cardíaca.

É fundamental que o hipertenso tenha cuidado com seu estilo de vida: a redução de peso é o fator que possui maior poder de redução da pressão, seguido da dieta DASH (uma dieta rica em frutas e verduras), após a atividade física e por último reduzir a ingesta de sal para menos de 6 gramas as/dia. É importante salientar que 60-70% deste sal já encontra-se industrializado nos alimentos, sem assim, a nossa adição de sal deverá ser pequena.

Em se tratando de terapêutica farmacológica, sabe-se que a maioria dos pacientes necessita dois ou mais medicamentos. O uso do remédio deve ser contínuo, no mesmo horário e não pode ser parado por conta quando a pressão voltar ao normal, pois o paciente não deixou de ser hipertenso e sim passou a ter a pressão controlada, ou seja, PAS abaixo de 140 e PAD abaixo de 90 mmHg. A eficácica do controle dos níveis pressóricos com a utilização da MAPA (Monitorização ambulatorial da Pressão Arterial) é fundamental e permite uma visão global do comportamento da pressão arterial do paciente ao longo do dia. É feito através de um aparelho que mede a pressão do paciente de 15 em 15 minutos nas 24 h e fornece informações valiosas do controle da pressão tanto nas 24 h, quanto nos períodos do dia , da noite e madrugada, e permite avaliar se há necessidade de introdução de novos medicamentos ou de aumento de dose ou ajuste dos horários ou se esta encontra-se controlada. Da mesma, a MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial) permite a análise da pressão fora do ambiente de consultório com medidas em 5 dias da semana.